O título vem da teoria de que as abelhas estão sumindo do mundo – fato que seria capaz de dizimar a humanidade, uma vez que, sem polinização, estaríamos fadados ao apocalipse. Assim como os insetos são as pessoas.
O filme fala sobre o personagem do Fábio Porchat que depois de uma separação traumática acaba deixando de enxergar as pessoas, sejam estranhos, conhecidos, amigos, família, elas estão lá e do nada simplesmente somem.
Particularmente tenho uma certa implicância com filmes brasileiros, eles forçam uma comédia e tem sempre alguém pobre matando e falando palavrão, ou cenas exageradas de sexo. Não faz meu estilo, por isso sempre que um filme brasileiro está em cartaz, nunca presto atenção. Até que olhando alguns vídeos no youtube, aquela propaganda chatinha que passa no início dos vídeos começou a passar e esperando os 5 segundos para fechá-la, o trailer me chamou atenção. Depois de ver o trailer, comecei a procurar sobre o filme, pois achei muito curioso o tema.
Então eu assisti o filme e simplesmente amei. Quarto filme brasileiro que me conquistou , o primeiro foi O Auto da Compadecida, Tropa de Elite 2 e O Homem Do Futuro e agora o do Porchat.
SPOILER
Quando o Bruno (Fábio) deixou de ligar para o que estava ocorrendo ao seu redor e deixou de ver as pessoas, meio que comecei a pensar em uma depressão. Quanto mais perto do fim o filme ia chegando, mais profundo a metáfora ia ficando.
Chega um momento em que as pessoas que estão ao nosso redor não são o suficiente para nos animar, nos preencher o vazio que machuca. Então você vai deixando de ver (de acreditar nelas, de ouvi-las, de vê-las, de entendê-las), deixa de ser importante.
Mas será que todas as pessoas são assim? Porém quem não tinha nada a ver, aquele que sempre esteve ao seu lado, te ajudando, acaba sendo atingido pela sua decepção e desaparece junto com todas as outras pessoas. E o pior é que não importa quantas pessoas tentem ajudar, a atitude e a motivação tem que vir de você, afinal se não estiver preparado e não quiser, não tem quem faça você conseguir enxergar e mudar.
"O filme tenta filosofar sobre o enfraquecimento dos laços de afeto em nosso tempo, sobre como as pessoas estão perdendo o contato umas com as outras a ponto de se tornarem "invisíveis""
Por fim quando Bruno (Porchat) chega ao fundo do poço, de não ver mais ninguém, finalmente ele consegue enxergar uma pessoa, uma que ele nunca procurou ou levou em consideração. Alguém que estava lá e ele não tinha percebido. O filme não tem um final surpreendente e não explica qual é a doença e nem te diz o remédio para isso, ele deixa a enigmática no ar e se você não conseguir enxergar e entender essa metáfora provavelmente você achará o filme besta ou ilógico.
É um filme realmente muito bom. Pena que as pessoas só gostam de baixaria ou filmes que não precisem forçar o cérebro a funcionar, não se permitem ser atingidos por um tema profundo, respeitável e sério, para conseguirem refletir e evoluir como seres humanos. É uma pena.
OBS: Lembrou-me um filme muito bom com o Jim Carrey e Kate Winslet, chamado "O Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças". No filme do Porchat o psiquiatra dele diz: "A questão não é o que está na foto, mas no que você está vendo ou quer ver". Então para o bom entendedor, quem estava causando esse distúrbio, mesmo que involuntariamente era ele mesmo. E no Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças, a questão é : Você já teve vontade de apagar alguém da sua memória?
Seja por qual motivo for, no caso do personagem do Jim Carrey e do Porchat depois do divórcio, foi uma dolorosa questão amorosa. No filme de Carrey durante o procedimento de apagar a memória, ele se arrepende e tenta de todas as formas uma maneira de parar o procedimento.
No decorrer do tempo e as limitações da memória acabam criando armadilhas que fazem a vida vivida e a lembrada ou simplesmente imaginada se embolarem não é mesmo? E o que fazer com elas? E com as dores dos sentimentos? A solução é apagar a memória? Deixa de ver e ouvir as pessoas?
Porchat está realmente de parabéns, foi maravilhoso ver esse outro lado dele, não só aquele comediante do Porta dos Fundos. Ótima atuação, gostei da trilha sonora, principalmente a música final do Jimmy Cliff - I Can See Clearly Now. "Eu Posso Ver Claramente Agora".
Nota 1000 para esse filme!!!
-T







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