Tentando entender o incompreensível. Precisando sempre verbalizar o que sinto, colocar um pouco de mim em tudo que for concreto para poder apalpar e conseguir sentir que é verdadeiro. Se for abstrato foge do meu alcance e não consigo me organizar, fica tudo por aí e sinto-me perdida assim.
Tentando achar uma explicação para absolutamente tudo, mas não conseguindo nem ao menos compreender a si mesmo. Dramatizando o mais simples dos atos e por qual motivo? Se apegando só para depois perder. Abrir mais um buraco nesse peito esburacado. Gritando para o mundo o que ninguém quer ouvir.
Tentando ser e procurar aprovação. Relevando e se privando. Procurando algo para se agarrar, alguma coisa para se guiar. Mas nada disso realmente importa se somos tão diferentes assim. Todos somos diferentes e minha realidade sempre está errada. Minha liberdade de expressão só será válida se concordar com a sua. Se eu me machucar não posso me encolher. Não posso sentir dor porque a sociedade diz que isso é ser fraco. Temos que todos sentir as mesmas coisas e por favor se explique, precisão de linguagem! Como que explica o inexplicável para pessoas completamente diferentes que vão entender de diversas formas e contorcer todos os contextos? Vão me acusar de respirar. Apontarão e me julgarão.
De todas as pessoas resolvi focar meus olhos nos teus. Tentei não olhar para nenhum outro lugar que não fosse tua íris. Se teus olhos se fecharem, me perderei da estrada. Pensei que o diferente iria me pressionar até conseguir caminhar sozinha, mas as vezes machuca mais que ajuda. E o meu porto seguro está cedendo. Agora meu concreto está virando abstrato e com ele vou me perdendo ao vento. Quem sou eu se eu me fui?
Nenhum canto é seguro. Não existe alguém que não machuque. Quando se ama, se ferir vem no pacote. Qualquer direção que você escolha estará errada aos ângulos divergentes de diversos olhares acusatórios. Não está certo, você é uma semente, não está em ambiente fértil, não pode deixar isso. Você é uma princesinha mimada.
Não quero saber o que eu sou, não sou, o que eu fiz ou deixei de fazer, o que é e o que não é. Me deixa ir. Só me ame, me abrace, me respire, me sinta, me entenda, me aninhe e sussurre palavras doces. Aperte minha cintura e tire meus medos. Pois é só o que eu posso fazer por você e queria que fosse recíproco.


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