O mundo de Sofia ☕



Sinopse: Às vésperas de seu aniversário de quinze anos, Sofia Amundsen começa a receber bilhetes e cartões-postais bastante estranhos. Os bilhetes são anônimos e perguntam a Sofia quem é ela e de onde vem o mundo. Os postais são enviados do Líbano, por um major desconhecido, para uma certa Hilde Møller Knag, garota a quem Sofia também não conhece.
O mistério dos bilhetes e dos postais é o ponto de partida deste romance fascinante, que vem conquistando milhões de leitores em todos os países e já vendeu mais de 1 milhão de exemplares só no Brasil. De capítulo em capítulo, de “lição” em “lição”, o leitor é convidado a percorrer toda a história da filosofia ocidental, ao mesmo tempo que se vê envolvido por um thriller que toma um rumo surpreendente.


     Uma garota de 14 anos começa a receber um curso de filosofia pelo correio de alguém desconhecido, depois de um tempo recebe cartões postais do Líbano de um tal de Albert Knox, que pede a Sofia que entregue a Hilde sua filha. Sendo que Sofia não faz ideia de quem sejam e de como a conhecem.
     O livro inteiro é basicamente sofre filosofia com um toque de mistério só para não ficar cansativo e o leitor não desistir, mas não funciona. As teorias, algumas delas, são super interessantes, mas outras eu implorava para acabar de tão chato. Livro cansativo que deve ser lido por quem realmente gosta e quer entender sobre filosofia.
     Porém, o conceito formado que vai ficando cada vez mais confuso, no final, faz sentido, embora seja muito complexo você fica boquiaberto com a imaginação grandiosa do autor. Mundos que se ligam, mundos que se confundem e se comunicam quando menos se espera.
     Depois que você consegue entrar na história e percebe o que está acontecendo com os personagens e com o mundo que ele criou, você para e pensa "esse cara tem uma puta imaginação". É fantástico o que ele cria. Mas poderia não ter demorado tanto com as teorias enormes.
     Um dos questionamentos é se existe algo que interessa a todo mundo. "Da mesma forma, hoje em dia cada um deve encontrar suas próprias respostas para as mesmas perguntas. Não é possível encontrar numa enciclopédia se Deus existe ou se há vida após a morte. As enciclopédias também não nos dizem como devemos viver. Ler como pensam outras pessoas, no entanto, pode nos ajudar quando precisamos elaborar nosso próprio juízo sobre a vida". "Pode-se imaginar, também que um mistério assim jamais será solucionado. Mas mistérios sempre têm uma solução". Na minha opinião, as vezes não precisamos de uma resposta já pronta, só de um empurrãozinho que nos impulsione a elaborar nossas próprias respostas.
     Outro ponto que ele ressalta muito no livro inteiro é sobre perdermos nossa capacidade de nos maravilharmos com o mundo e a teoria do coelho branco não sai da minha cabeça, as vezes na rua me deparo com pessoas que realmente já não estão no topo do pelo do coelho e isso é tão triste.
     Outra teoria que achei bem interessante foi a parte em que ele fala sobre o desaparecimento de fronteiras entre países e culturas na época do helenismo. "Surgiram diversos cultos religiosos novos, que tomavam emprestados seus deuses ou cerimônias da várias nações e culturas que existiam. A isso se chama sincretismo, ou mistura de religiões". Ou seja, que agora não existia uma religião certa a se seguir, existiam várias, não era do conhecimento da população apenas a sua cultura, mas a cultura do mundo, com isso sem dúvida alguma veio a "incerteza religiosa, dissolução cultural e pessimismo". Ou seja com toda essa "liberdade" de escolha as pessoas ficaram confusas. O helenismo quebra barreiras, um sincretismo que fez com que a população tivesse dúvidas, pessimismo, perdidos a tudo. Bem parecido com o que acontece no mundo de hoje. Depois dessa difusão de sexualidade, crenças e etc.... as pessoas estão desorientadas, não sabem o que são, o que querem, no que acreditam. As vezes liberdade demais não significa felicidade e auto conhecimento, essa geração é a prova disso. Com isso vieram os cínicos no ano 400 A.C. "É tanta coisa de que eu não preciso!". "A verdadeira felicidade é não depender de elementos casuais e passageiros".
     Depois disso, mais para frente ainda tem muita teoria interessante para se questionar, ele cita também a guerra dos 30 anos em 1618, guerra entre Alemanha e França que por acaso é palco para a história da Jojo Moyes no livro "A garota que você deixou para trás".
     Enfim, tirando as partes chatas, é um bom livro para se refletir, conhecimento nunca é demais.
-T

Páginas: 568
Editora: Companhia das Letras
Autor: Jostein Gaarder

Quem quiser saber um pouco mais clica AQUI que leva para o vídeo da Tati Feltrin, mulher fantástica de inteligente. Ótimas resenhas, com críticas bem construídas.


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